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Dilma, La Fuerte

Não resta a menor dúvida: a presidente Dilma Rousseff foi a grande estrela da Cúpula Ibero Americana, realizada em Cádiz, na Espanha. Neste domingo, o jornal El Pais, maior diário espanhol, dedica uma página inteira à líder política que a publicação qualifica como "Dilma, la fuerte". E o relato foi feito por ninguém menos que Juan Luís Cebrián, presidente do grupo Prisa, que edita o El Pais (leia aqui a íntegra em espanhol).

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Da Oi ao MAM: como interesses empresariais limitam a arte PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcio Leal   
Sáb, 03 de Dezembro de 2011 13:05

Após a Fundação Oi Futuro haver desistido de expor o trabalho da fotógrafa estadunidense Nan Goldin, o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro informou, no dia 28/11, que abrigará a exposição em fevereiro de 2012 no formato exato que fora definido pela curadora Ligia Canongia — e censurado pela empresa de telefonia. Serão, pois, 24 ampliações e vários slideshows: The Ballad of Sexual Dependency, Heart Beat, The Other Side e Empty Rooms, totalizando mais de 1.000 imagens.


A censura às fotografias de Nan Goldin pela Oi, empresa cujas iniciativas culturais
se beneficiam de isenção fiscal, traz à tona discussão sobre financimento da criação artística

Podemos, então, respirar aliviados: a arte venceu a batalha contra o moralismo dos interesses comerciais. Mas, será que venceu mesmo? A censura a certas imagens e, principalmente, o veto ao uso do espaço da Oi Futuro para a realização da exposição levantam dúvidas sobre qual o critério utilizado pela companhia telefônica na hora de definir quais são os tipos de expressão artística que passarão por seus centros culturais ou receberão seu patrocínio. Sendo Nan Goldin uma artista tão renomada quanto polêmica, com fotos de forte conteúdo sexual, cabe perguntar: Por que a Oi levou mais de um ano para decidir que o material era inadequado para seu público alvo?

O último edital de Artes Visuais da Oi tem 14 páginas com diretrizes para que os interessados possam enviar seus trabalhos. O projeto para a exposição das fotografias de Nan Goldin fora enviado por volta de setembro de 2010 e seguiu as exigências afixadas pela empresa. A Oi Futuro analisou o material apresentado, que inclui imagens, o currículo da artista e a proposta explicativa, que justificaria a importância desta exposição para os objetivos citados no edital — valorizar a diversidade artística, estimular a formação de novas plateias, incentivar o uso e a criação de novas linguagens.

A discussão sobre “o que é arte” é extensa, se não infinita, já que a arte muda com o tempo e com a trajetória das relações humanas e sociais. Há indícios de produção artística desde quando habitávamos cavernas. Há muito tempo as preferências estéticas carregam estreita relação com o poder político e econômico, e muitas das obras que marcaram profundamente a história da arte ocidental foram feitas sob encomenda. É o caso, por exemplo, do famoso quadro de Velásquez, Las Meninas, pintado dentro do Palácio Real para a família de Filipe IV, na Espanha.

A arte também está intimamente relacionada ao contexto social em que é produzida. Muitas vezes, dedica-se a temáticas que um determinado grupamento humano não está preparado para encarar. Foi o caso da tela que inaugurou o movimento impressionista na França. Manet pintou Olympia e o quadro foi exibido no Salão de Paris em 1865, juntamente com um quadro retratando Jesus Cristo, também de sua autoria. A camada social que tinha acesso ao Salão estava acostumada a pinturas envolvendo mulheres nuas — ainda assim, as pessoas ficaram chocadas.

Artigos e caricaturas foram publicados pela imprensa da época e o quadro foi rapidamente retirado da exposição. Manet, assustado com a repercussão negativa, chegou a declarar, numa carta ao escritor Baudelaire, que gostaria de jamais tê-lo pintado. Hoje em dia, sua obra é usada para explicar certos aspectos da cultura e o processo de desenvolvimento da burguesia francesa no século 19. A tela é também uma das maiores atrações do Museu D’Orsay, em Paris.

Pornografia, não

Mas, voltemos a Nan Goldin. O que ela fotografa? As fotos escancaram sem hipocrisia temas que são tabus em nossa sociedade atual: sexo, drogas, homossexualismo, dor, doenças, morte e nudez. Sobretudo, crianças — e o quanto elas podem ser expostas à realidade da vida dos adultos.

As fotos que motivaram a censura fazem parte do slideshow The Ballad of Sexual Dependency, uma sequência temática com cerca de 690 fotos que mostra, entre outras coisas, cenas de sexo explícito. E retrata também mulheres solitárias, crianças, amigos confraternizando, rindo, bebendo, gente usando drogas. Uma grande parte desse material foi produzido há 30 ou 40 anos. “O trabalho dela discute o amor, o sofrimento, a universalidade do drama humano”, explica Ligia, a curadora da exposição banida pela Oi e, agora, incorporada pelo MAM-RJ. “As imagens da Nan jamais podem ser confundidas com pornografia, pedofilia ou outras perversidades.”

Entre outros papéis, a arte cumpre a função de trazer uma série de questionamentos para dentro das galerias — e, posteriormente, para fora dela. Daí a importância que as pessoas tenham acesso ao que é produzido artisticamente. A arte que rompe parâmetros estabelecidos precisa de espaço dentro da sociedade para ser vista e discutida. Censurada, editada ou escondida, a arte não fará diferença alguma.

Para muita gente, ainda não estamos prontos para apreciar as fotos de Nan Goldin. Acham que nada educativo pode sair delas, que não podemos utilizá-las para ensejar determinadas discussões. “Eles não vão declarar jamais que é censura, estão tentando sair pela tangente de forma covarde. Um centro cultural não pode ser assim. Então abre uma creche.”, disse Ligia Canongia.

Alguns comentários no Blog Coletivo Outras Palavras defendem que a Oi não censurou as fotos. Mas censurar é simplesmente usar de algum tipo de poder para proibir a livre expressão. Claro que a Oi tinha o direito de não hospedar em seu espaço algo com que não esteja de acordo. Afinal, é uma empresa. Por outro lado, fica a pergunta: se, para participar de um edital, um artista visual precisa enviar as imagens de seu trabalho — e se essas imagens foram aprovadas e, depois, desaprovadas —, qual o critério utilizado pela Oi para selecionar os trabalhos? O currículo dos autores? O fato de alguém ter participado de milhares de outras exposições pelo mundo?

A Oi não tem o dever de contribuir para discussões polêmicas e tem o direito de escolher a quais imagens quer associar sua marca. Mas estava fazendo uso de um benefício fiscal para promover esta exposição. As empresas investem em cultura e, em troca, ganham um desconto no pagamento de imposto devido à União. Ou seja, o Estado paga, através de renúncia fiscal, e a marca da empresa aparece ligada à exposição, nas mídias que divulgam eventos artísticos.

Através da Lei Rouanet, o Estado brasileiro confere às empresas autoridade para escolher qual arte será financiada pelos cofres públicos. Quando entregamos para grandes corporações a decisão do que é arte e do que não é, do que será visto pelo público e do que não será, estamos entregando para estas empresas o direito de não nos deixar ver algo que talvez mudasse nossa forma de encarar a realidade.

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Fonte: Blog Outras Palavras, em 01/12/2011

 
 
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