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BC reduz taxa Selic para 7,25% ao ano, a menor da história

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) anunciou nesta quarta-feira (10) a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic.

Com a decisão, a taxa caiu de 7,5% para 7,25% ao ano e bate o quarto recorde consecutivo de baixa - o menor patamar da série histórica iniciada em 1986.

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A hora e a vez da América do Sul PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcio Leal   
Seg, 23 de Abril de 2012 11:08

Paulo Skaf*

A América do Sul vive um de seus mais importantes ciclos de desenvolvimento. Enquanto o crescimento médio das economias mundiais foi de 3,9% no período de 2002 a 2010, os países localizados na porção sul das Américas registraram incremento econômico de 5,3%. De maior importância, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aderiu à boa performance, alcançando 0,72 em 2011, classificado como alto pela Organização das Nações Unidas (ONU). A renda per capita média superou os US$ 10 mil, mais alta que no Oriente Médio.

Os números atestam o sucesso da vinculação do crescimento econômico à distribuição de renda, promovendo inclusão social, com resultados efetivos na eliminação da pobreza extrema e no bem-estar de seus 400 milhões de cidadãos. Com um território de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, a América do Sul ocupa 42% do continente americano e, em 2010, respondeu por 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e por 17,4% do PIB das Américas.

Ainda em 2010, a América do Sul exportou US$ 515 bilhões e importou US$ 434 bilhões. As exportações para o mundo repartiram-se entre produtos primários e manufaturados. Mas, dezenas de Acordos de Complementação Econômica mudaram o perfil do comércio na região. Entre eles, destacam-se o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações. Dos 21% das exportações que têm como destino os países da região, 75,2% foram produtos manufaturados, que agregam valor aos bens primários e geram empregos de alta renda na indústria local.

A expressividade desses resultados tem apresentado aos países a necessidade de buscar uma integração concreta, em que os esforços sejam direcionados ao fortalecimento da região. No ano 2000, pela primeira vez em uma história de cinco séculos, os presidentes de todas as nações sul-americanas reuniram-se, em Brasília, com o claro objetivo de marcar o início do processo de unificação da América do Sul. Sete anos mais tarde, nascia a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), composta pelos 12 países.

A tendência de crescimento continua nesta década e os investidores comprovam que há muito potencial e disposição para isso. Apesar do significativo desempenho, o continente ainda é bastante heterogêneo e as disparidades atuais só serão atenuadas com o esforço conjunto de buscar uma integração efetiva, que potencialize os projetos de desenvolvimento nacionais, articulados ao crescimento da região como um todo.

Para ter uma ideia da complexidade e da deficiente infraestrutura da região, um simples e-mail enviado de São Paulo para Lima ou Bogotá viaja a Miami, passa por outra cidade dos Estados Unidos, para só então voltar à América do Sul. A integração é impactada negativamente pela falta de conexão entre os países, resultado da queda de investimento em infraestrutura, que decresceu de 4% do PIB, no período 1980 a 1985, para apenas 2,3%, em 2007 e 2008.

Investimentos em infraestrutura refletem diretamente no grau de competitividade por possibilitarem ganhos de produtividade e redução de custos de produção dos bens econômicos. Dispor de infraestrutura adequada contribui com o desenvolvimento social porque permite a conexão entre áreas menos desenvolvidas com as principais atividades econômicas e, desta maneira, oferece novas oportunidades às pessoas.

Da mesma maneira, investimentos em infraestrutura de setores como saneamento básico, transportes, energia e comunicação possuem efeitos positivos na saúde e na educação das pessoas. Exceto por Itaipu e outros poucos projetos, o comércio de energia elétrica é esporádico e emergencial, necessitando conexão e regulação. Há imensos potenciais hidrelétricos que precisam ser aproveitados. O exemplo do Gasbol, gasoduto que une Bolívia, Brasil e Argentina tem potencial para ampliação.

Quase não há conexão das malhas ferroviárias e os investimentos são escassos. Predomina o transporte rodoviário de carga, não competitivo, grande emissor de gases de efeito estufa e que oferece pouca segurança. Não existe logística no sentido Atlântico-Pacífico e vice-versa que use a enorme malha fluvial navegável do eixo Amazônico, em conexão terrestre com o eixo Andino; e ao sul, por meio de ferrovias, no eixo Capricórnio.

Atentos a estes e tantos outros gargalos, o Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), integrado por ministros da área de infraestrutura dos 12 governos que compõem a Unasul, aprovou em novembro de 2011, em Brasília, sua primeira Agenda Prioritária de Investimentos (API). A API articula oito eixos para promover a integração física da América do Sul, por meio de 31 projetos estruturantes, divididos em 88 projetos individuais.

Nos primeiros meses deste ano, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) visitou os governos de quase todos os países sul-americanos. Com o apoio do Cosiplan, da Unasul e das embaixadas brasileiras, a entidade uniformizou e atualizou dados de todos os projetos, por meio de metodologia comum, reunindo-os na publicação "8 Eixos de Integração da Infraestrutura da América do Sul", que será lançada no Fórum de Infraestrutura da América do Sul - 8 Eixos de Integração -, a ser realizado terça e quarta-feira, na Fiesp.

Organizado pelo setor privado brasileiro em parceria estreita com a presidência pro tempore do Cosiplan; com a secretaria-geral da Unasul; e com o governo brasileiro, por meio dos ministérios das Relações Exteriores e do Planejamento, o Fórum reunirá representantes dos 12 governos, bancos de fomento, empresas de construção, concessionários e investidores de toda a América do Sul. Os objetivos são apresentar a carteira de projetos; aproximar entes públicos e setor privado, facilitando a criação de networking; e acelerar o cronograma das obras.

Esta primeira e ambiciosa Agenda de Projetos Prioritários de Infraestrutura tem como prazo o ano de 2022 para construir 2,4 quilômetros de pontes; 14 quilômetros de túneis; 57 quilômetros de anéis viários; 360 quilômetros de linhas de transmissão; 379 quilômetros de dragagem de rios; 1500 quilômetros de gasodutos; 3.490 quilômetros de hidrovias; 5.142 quilômetros de rodovias; e 9.739 quilômetros de ferrovias. Um total de investimentos que ultrapassa US$ 21 bilhões.

Certamente, este pacote de obras permitirá a construção de um novo e definitivo momento na integração da América do Sul.

(*) Paulo Skaf é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Fonte: Jornal Valor Econômico (SP), em 23/04/2012

 

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