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Dilma, La Fuerte

Não resta a menor dúvida: a presidente Dilma Rousseff foi a grande estrela da Cúpula Ibero Americana, realizada em Cádiz, na Espanha. Neste domingo, o jornal El Pais, maior diário espanhol, dedica uma página inteira à líder política que a publicação qualifica como "Dilma, la fuerte". E o relato foi feito por ninguém menos que Juan Luís Cebrián, presidente do grupo Prisa, que edita o El Pais (leia aqui a íntegra em espanhol).

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Um milhão para Agripino PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcio Leal   
Ter, 29 de Maio de 2012 23:07

REVELADO NA quarta-fei­ra 9 pelo site de Carta­Capital, o conteúdo do depoimento do lobista Alcides Fernandes Bar­bosa ao Ministério Pú­blico do Rio Grande do Norte mexeu com os nervos da política potiguar e levou a crise a Brasília. Bar­bosa, após celebrar um acordo de de­lação premiada com os promotores em Natal, acusou o senador José Agripino Maia, presidente do DEM, de ter rece­bido 1 milhão de reais de um esquema criminoso desbaratado no ano passado.

O lobista foi preso durante a Opera­ção Sinal Fechado, em 24 de novembro de 2011, que teve como alvo a atuação do Consórcio Inspar, montado por em­presários e políticos locais com a inten­ção de dominar o serviço de inspeção veicular no Rio Grande do Norte por 20 anos. A quadrilha pretendia faturar cerca de 1 bilhão de reais com o negó­cio. Além de Barbosa, houve outras no­ve prisões. Ao todo, 34 suspeitos foram denunciados por formação de quadri­lha, peculato, corrupção passiva, tráfi­co de influência, dispensa ilegal de lici­tação e fraude em licitação. Entre eles, dois ex-governadores, ambos do PSB: wilma de Faria e Iberê Ferreira.

O depoimento de Barbosa durou 11 horas e reforçou muitas das teses le­vantadas pelos promotores sobre a par­ticipação de políticos no bando mon­tado pelo advogado George Olímpio, apontado como líder da quadrilha, que permanece preso em Natal. De acordo com trechos da delação, gravada em ví­deo, Barbosa afirma ter sido chamado no fim de 2010, para um coquetel na ca­sa de Maia para conhecer pessoalmen­te o presidente do DEM.

O convite teria partido de João Faus­tino Neto, ex-deputado, ex-senador e o valor, pago em quatro parcelas, teria sido combinado no apartamento do parlamentar, que nega as acusações atual suplente de Maia no Senado. Segundo o lobista, ele só foi chamado ao encontro por causa da ausência inesperada de outros dois paulistas, um identificado por ele como o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e o outro apenas como “Clóvis” – o MP acredita tratar-se do também tucano Clóvis Ca­valho, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso. Acusado de ser um dos principais articuladores do esquema criminoso no e­stado, Faustino Neto foi subchefe da Casa Civil do governo de São Paulo durante a gestão do tucano José Serra. À época era subordinado a Nunes Ferreira.

O parlamentar paulista afirma jamais ter sido convidado para qualquer evento na casa de Maia. O tucano admite que possa, em algum momento, ter sido apresentado a Barbosa em São Jose à Rio Preto, onde nasceu e tem base de eleitoral. “Mas não o reconheceria se o visse no elevador.” Ferreira conta que há três meses foi procurado por uma advogada de Santos que lhe pediu para interceder a favor de Barbosa, sob alegação de que o lobista estava muito doente na prisão. “Ela falou que era uma questão humanitária e pediu a minha ajuda porque somos (ele e Alcides) da mesma região.” Mas o senador alega não ter tomado nenhuma atitude. “Não tenho nada a ver com essa história.”

O papel de Barbosa na quadrilha, dizem os promotores, era evitar que a Controlar, empresa com contratos na prefeitura de São Paulo, participas­se da licitação que resultou na escolha do Consórcio Inspar. Em conversas te­lefônicas interceptadas com autoriza­ção da Justiça potiguar, Barbosa revela ter ligado’ para o prefeito Gilberto Kas­sab (PSD) em 25 de maio de 2011, quan­do se identificou como responsável pe­la concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Aos interlocuto­res, o lobista garantiu ter falado com o prefeito paulistano e conseguido evitar a entrada da Controlar na concorrência aberta pelo Detran local. Em um dos telefonemas, afirma ter tido uma con­versa “muito boa”.

Aos promotores, Barbosa revelou ter sido levado ao “sótão” do apartamento do senador Maia, em Natal, on­de garante ter presenciado o advoga­do Olímpio negociar com o parlamen­tar um apoio financeiro à campanha de 2010. Na presença de Faustino Neto e Barbosa, diz o lobista, Olímpio prome­teu 1 milhão de reais ao presidente do DEM. O pagamento, segundo o combi­nado, seria feito em quatro cheques do Banco do Brasil, cada qual no valor de 250 mil reais, a ficarem sob a guarda de um homem de confiança de Maia, o ex­ senador José Bezerra Júnior, conhe­cido por “Ximbica”. Maia queria o di­nheiro na hora, afirma Barbosa, mas o advogado teria alegado somente poder iniciar o pagamento das parcelas a par­tir de janeiro de 2011.

O depoimento de Barbosa reforça um outro, do empreiteiro potiguar José Gil­mar de Carvalho Lopes, dono da Cons­trutora Montana e, em consequência, apelidado Gilmar da Montana. Preso em novembro de 2011, o construtor, em depoimento ao Ministério Público, re­velou que o tal repasse de 1 milhão de reais ao senador era “fruto do desvio de recursos públicos” do Detran do Rio Cada um por si. Barbosa fez acordo de delação premiada. Maia se diz alvo dos adversários Grande do Norte. O empresário contou história semelhante à de Barbosa. Se­gundo ele, Olímpio deu o dinheiro “de forma parcelada” na campanha eleito­ral de 2010 a Carlos Augusto Rosado, marido da governadora Rosalba Ciarli­ni (DEM), e para o senador. E mais: a doação foi acertada “no sótão do apar­tamento de José Agripino Maia em Morro Branco (bairro da capital)”.

Barbosa diz ter havido ainda outro en­contro entre ele e Maia, dessa vez em Brasília, onde o senador mantém uma casa, Na oportunidade, estavam pre­sentes Faustino Neto e Olímpio. Ele narra aos procuradores: “João Fausti­no estava muito preocupado, porque George estava falando já desses che­. ques para Natal inteira”. Segundo Barbosa, a intenção de Olímpio era deixar claro que os cheques eram uma garan­tia de que o esquema seria implantado sem demora no estado. Por causa dis­so, Agripino não queria mais receber George em Natal.

No encontro de Brasília, revela Bar­bosa, o senador avisou ao advogado que devolveria os dois últimos cheques, uma vez que os dois primeiros, no valor total de 500 mil reais, haviam sido des­contados. Na versão do lobista, o sena­dor do DEM decidiu devolver o dinhei­ro em razão de um desentendimento com a governadora Rosalba Ciarlini e o marido dela.

Maia teria dito a Olímpio que fazia a de­volução por não poder “ir além” nas ne­gociações com o casal “Não vou rom­per politicamente com Carlos Augusto (Rosado) e com a Rosalba (Ciarlini) em virtude desse compromisso”, teria avi­sado o presidente do DEM, segundo o lobista. Quanto aos dois primeiros che­ques descontados, referentes a janeiro e fevereiro de 2011, o senador não teria revelado a destinação. “Você me dá uns dez, 15 dias que eu vou conversar com você pra ver”, teria dito o parlamentar ao acusado de chefiar a quadrilha. Mas o dinheiro nunca teria aparecido.

Com base em ambos os depoimen­tos, o Ministério Público potiguar de­cidiu encaminhar o assunto à Procura­doria-Geral da República, uma vez que Maia tem direito a foro privilegiado. Caberá ao procurador-geral, Roberto Gurgel, decidir se uma investigação se­rá aberta ou não.

A Carta Capital, o senador negou to­das as acusações. Disse que o tal co­quetel em seu apartamento nunca aconteceu, muito menos o acerto do tal repasse de 1 milhão. Negou até possuir um sótão em casa. “Sótão é aquela coisinha que a gente sobe por uma escadinha. No meu apartamento eu te, uma cobertura.” Maia afirma ser_ ma de uma armação de adversários líticos e se apoia em outro depoimento de Gilmar da Montana, em que ele, nega ter participado do coquetel na residência do senador.

De fato, dias depois de o depoimento do empreiteiro ter vazado, no fim de março, o advogado José Luiz Carlos e Lima, contratado posteriormente à prisão de Gilmar da Montana, aparece com outra versão. Segundo Lima, houve “distorções” das declarações de til: cliente. O depoimento prestado aos promotores e a uma advogada dentro do Ministério Público, alegou o defensor, ocorreu em condições “de absoluto estresse emocional e debilidade física” do acusado, que estaria sob efeito de tranqüilizantes. No MP potiguar a versão não é levada a sério.

Um dos principais objetivos do esquema de pagamentos de propina insistiu Barbosa, era articular com a tão governadora Wilma de Faria a Ê plantação da inspeção veicular obrigatória no estado. Para essa missão, o filho de Wilma, Lauro Maia, receberias mil reais por mês de Olímpio. O dinheiro provinha da arrecadação da Central de Registros de Contratos (CBJ: que funcionava como uma espécie “­cartório para autenticação de todos processos de veículos financiados.. e. transferência ou alienados no estado Lauro Maia é velho conhecido da crônica policial potiguar. Em 2008 foi preso durante a Operação Hígia, da PF acusado de desviar 36 milhões de reais do sistema público de saúde local.

Barbosa informou ainda que Olimpio teria pago 300 mil reais ao deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza (PTB) para a elaboração e aprovação da lei que instituiu a inspeção ver, lar obrigatória no Rio Grande do Norte, em agosto de 2009. Segundo o lobista ta, o ex-governador Iberê Ferreira j, teria participado do esquema e seria beneficiário de 15% de toda a arrecadação, feita pela quadrilha. Mesmo porcentual que teria direito a ex-governadora­ Wilma de Faria. A João Faustino Neto, diz Barbosa, caberia um naco menor, de 10%.

Os acusados negam a participação no esquema.

Fonte: Revista Carta Capital, em 16/05/2012

 

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