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Políticas de austeridade não são a melhor resposta para enfrentar a crise, afirma Dilma

A presidenta Dilma Rousseff afirmou neste sábado (17), em Cádiz, na Espanha, na primeira sessão plenária da XXII Cúpula Ibero-americana, que as políticas de austeridade implementadas por alguns países europeus não são a melhor resposta para enfrentar a crise.

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Leite de cabra transforma vidas no sertão de Alagoas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcio Leal   
Ter, 17 de Julho de 2012 22:29

Aos 18 anos, Ádria Lima ganhou para o currículo uma experiência de peso: o cargo de presidenta. Exemplo de liderança na comunidade, ela hoje está à frente da Natucapri, uma cooperativa no sertão de Alagoas que produz sabonetes artesanais à base de leite de cabra. Trabalhando durante o dia e estudando à noite, Ádria, que concluiu o ensino médio em 2011, sonha agora com a universidade.

Mulheres da cooperativa Natucapri
No sertão de Alagoas, a produção artesanal de sabonetes à base de leite de cabra ajuda a empoderar as mulheres da comunidade de Maravilha. Foto: Jacob Said/PNUD Brasil.

Mas essa trajetória de jovem mulher empoderada está longe da realidade da maioria das habitantes do pequeno município de Maravilha, a 230 km – 4 horas de viagem de carro – da capital Maceió. Com índices de analfabetismo que chegam a quase um terço da população adulta, Maravilha tem um dos IDHs mais baixos do Brasil. A situação se agrava ainda mais na área rural, onde 40% dos moradores estão em condição de extrema pobreza.

Em busca de oportunidades, um grupo de mulheres se uniu em 2006 para fundar o empreendimento que daria origem à cooperativa. A ideia era produzir sabonetes artesanais usando como principal matéria-prima o leite de cabra, em abundância na região, em combinação com ervas e extratos locais. Além das dificuldades em gerir o próprio negócio, as mulheres de Maravilha enfrentavam a barreira social de uma comunidade tradicionalmente rural e patriarcal. “Passamos por muitos preconceitos. Em casa, nas ruas; a sociedade não aceitava nosso trabalho”, comenta Angelina dos Santos, uma das fundadoras do grupo.

Sabonete de aroeira a base de leite de cabra
Aroeira, Babosa, Juá, Maracujá, Aveia e Mel, Erva-doce e Camomila são algumas das fragrâncias dos sabonetes. Foto: Jacob Said/PNUD Brasil.

Com o apoio do PNUD, uma articulação entre a Agência de Fomento de Alagoas e o Sebrae permitiu a capacitação técnica do grupo. Além do processo de formulação e fabricação dos sabonetes, foram realizados cursos em áreas complementares como cooperativismo, gestão de negócios, elaboração de cronogramas de trabalho e plano de vendas.

As viagens por todo o Brasil para vender os sabonetes em feiras de artesanato e de economia solidária tornaram-se constantes para muitas mulheres que, até então, mal conheciam os arredores de Maravilha. Aos poucos, a comunidade passou a compreender e a respeitar o trabalho delas na cooperativa, que não parou de crescer. “O importante é conquistar a autonomia. É ter uma profissão; aprender a fazer a gestão de um negócio e ter uma renda”, diz Ádria.

No final de 2011, mais uma cooperada concluiu o ensino fundamental, enquanto outras duas já cursavam a faculdade. Embora o retorno financeiro ainda não seja grande nem regular, os cerca de R$ 100 mensais têm um significado importante na autoestima dessas mulheres, que superaram a timidez e a insegurança e ganharam um novo mundo com a cooperativa. “O que nós enxergamos é a perspectiva de um futuro melhor, de mais qualidade de vida, através de um trabalho que não tem patrão nem empregado: todo mundo é dono, todos são ouvidos e lutam por um objetivo comum”, diz Ádria.

O desafio de manter a Natucapri como um empreendimento de responsabilidade socioambiental e, ao mesmo tempo, sustentável financeiramente, faz parte da nova rotina dessas mulheres empreendedoras no sertão nordestino. “O que me dá coragem para continuar é olhar para essas mulheres, que têm uma força imensa. Cuidam da casa, filhos e maridos, são agricultoras e ainda arrumam tempo para produzir o sabonete e ir em busca de algo mais”, diz a jovem Ádria, confiante num futuro promissor que ela e suas colegas já começaram a construir.

Fonte: PNUD Brasil, em 05/07/2012

 

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