Home Notícias Eleições 2012 Haddad resgata motes de Marta e promete obras de R$ 20 bilhões

Mídias Sociais

Facebook Twitter RSS Feed 

Newsflash

Lula, na nuvem

Uma nuvem humana acompanha Luiz Inácio Lula da Silva quando ele se locomove. Por vezes, a bruma se adensa, pulsa e canta, emocionada: “Lula, Lula, olê olê olê olá”. O cordão humano abraça também o candidato a prefeito de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, que vem logo atrás dele, rumo ao palanque.

Leia mais...
Follow us on Twitter

Quem está on-line

Nós temos 74 visitantes e 1 membro online
  • SeoOvase
Banner
Banner
Haddad resgata motes de Marta e promete obras de R$ 20 bilhões PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcio Leal   
Qua, 15 de Agosto de 2012 10:44

Anunciado como uma celebridade, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, subiu ao palco de uma universidade e, com o microfone em mãos, começou a explicar quais são os problemas da capital paulista. "Nossa cidade é rádio-concêntrica. Toda as radiais levam para os mesmos lugares. Não há infraestrutura que suporte essa sobrecarga de mobilidade, que é fruto da irracionalidade do desenvolvimento", disse.

"O modelo que desenvolvemos é rodoviarista e tinha como pressuposto o automóvel", comentou, logo nos primeiros minutos da apresentação. Na plateia, algumas pessoas se mexeram nas poltronas, com um olhar de interrogação. Atrás de Haddad, um enorme "H" vermelho é projetado. "O fator-chave de uma metrópole é o tempo e ele tem que ser liberado. É sinônimo de liberar as energias criativas de cada cidadão", completou, dizendo que é com "essa variável" que trabalhará, se eleito.

Nas duas horas seguintes, Haddad falou sem parar sobre seu plano de governo, lançado oficialmente ontem. Na plateia, a grande ausência foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, patrocinador da candidatura do petista. A presença do ex-presidente, que ainda se recupera de tratamento contra um câncer na laringe, era tida como certa pelo comando da campanha. O lançamento das propostas chegou a ser adiado para contar com Lula. O candidato, no entanto, minimizou a ausência.

Em meio a lembranças da gestão da ex-prefeita petista Marta Suplicy (2001-2004), Haddad disse que "pela primeira vez" um candidato "rompia o paradigma de repensar a forma de organizar a cidade" e anunciou o mote de sua campanha: o "arco do futuro". A proposta, explicou, é de desenvolver a periferia a partir de investimentos no entorno de grandes vias da capital. No eixo central está um pacote de obras de infraestrutura no valor de R$ 20 bilhões para os próximos quatro anos. O nome do programa foi dado pelo marqueteiro da campanha, João Santana, e o arco é formado pela avenida Cupecê, as marginais dos rios Pinheiros e Tietê e a avenida Jacu Pêssego. "Quero transformar a Cupecê e a Jacu Pêssego em uma nova [avenida] Faria Lima", disse.

O petista prometeu reduzir a alíquota do ISS de 5% para 2% para empresas que forem para as áreas mais distantes do centro. O candidato disse também que poderá zerar o IPTU para essas empresas e isentar a outorga onerosa do direito de construir nessas regiões. Segundo Haddad, essas medidas ajudariam a levar empresas para a periferia e gerar mais empregos.

Haddad resgatou bandeiras da gestão Marta, como o Bilhete Único, os corredores de ônibus e os Centros Educacionais Unificados (CEUs). O petista reciclou também uma das propostas apresentadas por Marta em 2008, de dar internet gratuita para todos os bairros.

O ex-ministro afirmou que fará 20 novos CEUs e criará 150 mil vagas em creches. Haddad disse que resgatará o programa de transporte escolar "Vai e Volta", outra marca da gestão Marta. O candidato do PT prometeu ensino integral a 100 mil alunos, em quatro anos.

Em transportes, o candidato do PT disse que o Bilhete Único terá três versões: diário, semanal e diário. O usuário poderá realizar quantas viagens quiser em um período de tempo que será determinado pela prefeitura.

O petista prometeu construir 150 quilômetros de corredores de ônibus, o dobro do que foi construído por Marta. Haddad disse que fará também 150 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Haddad afirmou que fará repasses ao Metrô, mas disse que o aporte só será feito se a prefeitura puder intervir nas metas do governo estadual e na escolha das estações que serão entregues.

O petista disse que pretende firmar convênios com o governo estadual, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB), e ironizou os tucanos ao dizer que eles não gostam de fazer parcerias com o PT. "Mas eu não tenho preconceito com parceria", disse.

Ao defender parcerias com o governo federal, o petista afirmou que levará a Universidade Federal de São Paulo para a Itaquera, na zona leste, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, para a zona norte.

Na saúde, área com a pior avaliação segundo pesquisas de opinião, Haddad disse que fará três hospitais na periferia, em Parelheiros (zona sul), Vila Matilde (zona leste) e Brasilândia (zona oeste) e que entregará em quatro anos 1 mil leitos. Em meio a críticas à gestão de Gilberto Kassab (PSD), o petista lembrou que o prefeito prometeu na campanha de 2008 construir os hospitais, mas não deverá entregá-los até o fim do ano.

Apesar das críticas a Kassab, o candidato afirmou que não vai abandonar nenhuma licitação feita pela atual gestão.

O petista defendeu a construção de moradias na região central, para diferentes classes sociais. Disse que construirá 55 mil unidades habitacionais na capital e que atenderá 70 mil famílias com obras de urbanização de favelas.

Em tom professoral, Haddad expôs suas propostas a cerca de 500 pessoas. Depois de uma hora de apresentação, diante do silêncio da plateia, pediu aplausos. O nome de Lula e da presidente Dilma Rousseff foram pouco citados.

Em diversos momentos, Haddad fez propostas mais afeitas a um candidato a governador. O petista disse que sua proposta de desenvolver a periferia em torno de grandes vias da capital beneficiaria as cidades do ABCD paulista, além de Osasco e Guarulhos, na região metropolitana. Ao falar sobre o aporte de recursos ao metrô, Haddad apresentou propostas de extensão de linhas do metrô e da CPTM e de entrega de estações, apesar de a gestão desse sistema ser da competência do governo estadual. Questionado, disse que o prefeito tem que participar da definição do cronograma do metrô.

Fonte: Jornal Valor Econômico (SP), em 15/08/2012

 

LEIA TAMBÉM:

 
 
Banner
Banner