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Políticas de austeridade não são a melhor resposta para enfrentar a crise, afirma Dilma

A presidenta Dilma Rousseff afirmou neste sábado (17), em Cádiz, na Espanha, na primeira sessão plenária da XXII Cúpula Ibero-americana, que as políticas de austeridade implementadas por alguns países europeus não são a melhor resposta para enfrentar a crise.

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Escrito por Marcio Leal   
Sex, 12 de Outubro de 2012 20:11

Luciano Martins Costa

A Folha de S. Paulo noticia na edição de quinta-feira (4/10) que o número de pessoas extremamente pobres caiu 40% no Brasil neste ano, em relação aos indicadores do Censo de 2010, de acordo com o critério financeiro. O jornal faz referência a uma discrepância quanto a essa porcentagem, mas observa que o contingente de 8,7 milhões de pessoas que passaram a receber os complementos financeiros do programa Brasil Carinhoso é apontado como o grupo populacional que está deixando a miséria.

Seja qual for a porcentagem, o fato principal a ser destacado é que as políticas sociais de distribuição de renda seguem alimentando o fenômeno da mobilidade social e contribuindo para melhorar as condições de bem-estar da população brasileira.

A despeito dos muitos relatórios técnicos produzidos nos últimos oito anos sobre o efeito econômico das políticas sociais de distribuição de renda, a imprensa brasileira, de modo geral, ainda resiste a condicionar o crescimento do mercado interno aos programas do tipo, que já foram chamados de “bolsa-esmola”.

Nova figura

Desde 2005, seminários conduzidos por uma fundação pertencente a um dos maiores bancos do país vêm registrando os ganhos gerados na economia brasileira, assim como em outros países, como Índia, Paquistão, Colômbia e México, por programas desse tipo. Em todos esses casos se observa uma melhoria geral nos indicadores econômicos a partir da inclusão de milhões de novos consumidores.

Por haver resistido a aceitar que uma política econômica com preocupações sociais, fortemente impulsionada por investimentos do Estado, produz melhores resultados do que as políticas conservadoras que deixam a população à mercê do mercado, a imprensa brasileira demorou a perceber que a relativamente confortável situação do Brasil em relação à economia global não se deve apenas à estabilidade da moeda.

Esse é provavelmente um dos motivos pelos quais alguns setores, entre os quais as empresas de comunicação, de modo geral, colhem menos benefícios do aumento do consumo.

Curiosamente, observa-se nas análises sobre a economia brasileira uma convergência de pontos de vista entre os especialistas mais conservadores, que ainda esperam um fracasso nas políticas sociais de formação de renda, e a aberração ideológica composta por um campo da esquerda que, de tão radical, se transforma em arauto do fundamentalismo de mercado.

Embora alguns articulistas já façam referência, com relativa familiaridade, a expressões como “economia social”, esse conceito ainda atravessa a garganta da maioria dos autores admitidos pela imprensa tradicional.

Também é curioso como, na busca por explicações para o fenômeno brasileiro, alguns estudiosos lancem mão de uma versão “higienizada” da matriz marxista, operando uma teoria crítica sem luta de classes e enfeitada de neologismos de sentido duvidoso.

O fato real é que as empresas de comunicação, assim como alguns outros setores do mundo dos negócios, não têm a mais remota noção do que seja a nova classe média de renda surgida do fenômeno da mobilidade social impulsionada pelas políticas de distribuição de renda e oportunidades.

Em primeiro lugar, é preciso eliminar a expressão “pirâmide social”: o desenho das composições de renda da sociedade brasileira agora se parece mais com um hexágono engordado no centro, onde se situam os 52,9% da população que compõem essa nova classe média.

Navegando no escuro

Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, em 2014 esse contingente será de 55% da população. Curiosamente, o estudo prevê que o número de cidadãos ricos também deverá crescer, dos atuais 15,5% para 16,7%, com um decréscimo proporcional do número de pobres, que passarão de 23,7% para 20,8% da população brasileira.

Esse movimento, que já forma uma tendência de quase dez anos, induz alguns analistas a considerar que a economia brasileira pode alcançar um alto grau de sustentabilidade antes do final desta década.

No que se refere à abordagem da imprensa, porém, o que se nota é um completo desconhecimento sobre como pensa, o que deseja e como fazem escolhas as famílias que protagonizam essa ascensão social.

Segundo a pesquisa Data Popular, nos últimos dez anos houve uma migração do poder de compra para as mulheres, os jovens e os negros, grupo étnico historicamente excluído da economia e da sociedade.

Para se ter uma ideia desse movimento, basta observar que, de 2001 a 2011, os negros brasileiros tiveram um aumento de renda de 106% e movimentam hoje cerca de R$ 673 bilhões por ano.

Dados como esse deixam de cabeça para baixo empresas, como as organizações jornalísticas, planejadas para as elites brancas tradicionais.

Fonte: Outras Palavras, em 07/10/2012

 

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