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Ciências Sem Fronteira manda 6,7 mil pesquisadores brasileiros para o exterior

Mais de 6,7 mil brasileiros já foram beneficiados pelo programa Ciências Sem Fronteira, que financia estudos para pesquisadores no exterior. Os dados fazem parte de balanço, divulgado pelo ministro de Educação (MEC), Aloizio Mercadante.

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Escrito por Marcio Leal   
Sex, 12 de Outubro de 2012 20:11

Luciano Martins Costa

A Folha de S. Paulo noticia na edição de quinta-feira (4/10) que o número de pessoas extremamente pobres caiu 40% no Brasil neste ano, em relação aos indicadores do Censo de 2010, de acordo com o critério financeiro. O jornal faz referência a uma discrepância quanto a essa porcentagem, mas observa que o contingente de 8,7 milhões de pessoas que passaram a receber os complementos financeiros do programa Brasil Carinhoso é apontado como o grupo populacional que está deixando a miséria.

Seja qual for a porcentagem, o fato principal a ser destacado é que as políticas sociais de distribuição de renda seguem alimentando o fenômeno da mobilidade social e contribuindo para melhorar as condições de bem-estar da população brasileira.

A despeito dos muitos relatórios técnicos produzidos nos últimos oito anos sobre o efeito econômico das políticas sociais de distribuição de renda, a imprensa brasileira, de modo geral, ainda resiste a condicionar o crescimento do mercado interno aos programas do tipo, que já foram chamados de “bolsa-esmola”.

Nova figura

Desde 2005, seminários conduzidos por uma fundação pertencente a um dos maiores bancos do país vêm registrando os ganhos gerados na economia brasileira, assim como em outros países, como Índia, Paquistão, Colômbia e México, por programas desse tipo. Em todos esses casos se observa uma melhoria geral nos indicadores econômicos a partir da inclusão de milhões de novos consumidores.

Por haver resistido a aceitar que uma política econômica com preocupações sociais, fortemente impulsionada por investimentos do Estado, produz melhores resultados do que as políticas conservadoras que deixam a população à mercê do mercado, a imprensa brasileira demorou a perceber que a relativamente confortável situação do Brasil em relação à economia global não se deve apenas à estabilidade da moeda.

Esse é provavelmente um dos motivos pelos quais alguns setores, entre os quais as empresas de comunicação, de modo geral, colhem menos benefícios do aumento do consumo.

Curiosamente, observa-se nas análises sobre a economia brasileira uma convergência de pontos de vista entre os especialistas mais conservadores, que ainda esperam um fracasso nas políticas sociais de formação de renda, e a aberração ideológica composta por um campo da esquerda que, de tão radical, se transforma em arauto do fundamentalismo de mercado.

Embora alguns articulistas já façam referência, com relativa familiaridade, a expressões como “economia social”, esse conceito ainda atravessa a garganta da maioria dos autores admitidos pela imprensa tradicional.

Também é curioso como, na busca por explicações para o fenômeno brasileiro, alguns estudiosos lancem mão de uma versão “higienizada” da matriz marxista, operando uma teoria crítica sem luta de classes e enfeitada de neologismos de sentido duvidoso.

O fato real é que as empresas de comunicação, assim como alguns outros setores do mundo dos negócios, não têm a mais remota noção do que seja a nova classe média de renda surgida do fenômeno da mobilidade social impulsionada pelas políticas de distribuição de renda e oportunidades.

Em primeiro lugar, é preciso eliminar a expressão “pirâmide social”: o desenho das composições de renda da sociedade brasileira agora se parece mais com um hexágono engordado no centro, onde se situam os 52,9% da população que compõem essa nova classe média.

Navegando no escuro

Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, em 2014 esse contingente será de 55% da população. Curiosamente, o estudo prevê que o número de cidadãos ricos também deverá crescer, dos atuais 15,5% para 16,7%, com um decréscimo proporcional do número de pobres, que passarão de 23,7% para 20,8% da população brasileira.

Esse movimento, que já forma uma tendência de quase dez anos, induz alguns analistas a considerar que a economia brasileira pode alcançar um alto grau de sustentabilidade antes do final desta década.

No que se refere à abordagem da imprensa, porém, o que se nota é um completo desconhecimento sobre como pensa, o que deseja e como fazem escolhas as famílias que protagonizam essa ascensão social.

Segundo a pesquisa Data Popular, nos últimos dez anos houve uma migração do poder de compra para as mulheres, os jovens e os negros, grupo étnico historicamente excluído da economia e da sociedade.

Para se ter uma ideia desse movimento, basta observar que, de 2001 a 2011, os negros brasileiros tiveram um aumento de renda de 106% e movimentam hoje cerca de R$ 673 bilhões por ano.

Dados como esse deixam de cabeça para baixo empresas, como as organizações jornalísticas, planejadas para as elites brancas tradicionais.

Fonte: Outras Palavras, em 07/10/2012

 

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